Mulheres representam 43% dos empreendedores brasileiros

Pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios”, elaborada pela Rede Mulher Empreendedora (RME), revela que o sexo feminino representa 43% dos empreendedores brasileiros, o que evidencia o crescimento do empreendedorismo feminino , a independência financeira e o impacto das atividades geradas por elas na economia nacional.

Perfil

Tendo muitas começado a empreender por necessidade, a maior parte atua como MEI ou como sócias de micro e pequenas empresas. Outro levantamento, intitulado “Quem São Elas”, lançado no ano passado pela RME, apontou que 55% das empreendedoras brasileiras têm filhos, e que dentre essa porcentagem, 75% decidiram adentrar o mundo dos negócios após a maternidade.

Cerca de 79% delas possuem ensino superior completo, com média de idade de 39 anos. 61% são casadas, 44% são chefes de família e 39% contam com o auxilio de alguém no negócio. Um problema detectado pelo estudo é que mais da metade delas buscam por qualidade de vida, porém 39% trabalham mais de nove horas por dia.

Racismo estrutural e regularização

Outro dado mostrado é a diferença no percentual de empreendedoras não brancas presentes nas abrangentes categorias de negócios. Elas representam 32% do total em empresas informais e MEIs, enquanto que em microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPPs) este número cai para 20%, o que destaca que empresas maiores são geralmente geridas por mulheres brancas.

As informações condizem com o Global Entrepreneurship Monitor de 2015, feito pelo Sebrae, o qual 51% dos empreendedores brasileiros, tanto homens quanto mulheres, são negros, entretanto, apenas 29% deles chegaram a empregar, ao menos, uma pessoa no período.

Ambos os estudos demostram alguns fatores impulsionados pelo racismo estrutural que permeia a sociedade, gerando ainda mais dificuldades  no que se diz respeito a inserção no mercado de trabalho.  Um exemplo disso é o acesso a crédito, que segundo o chefe do escritório Small Business Administration (SBA), Eugene Cornelius Junior, é três vezes mais negado a empresários negros do que a brancos, no Brasil.

A regularização de empreendimentos também é outro fator levantado, com 30% dos negócios com até três anos de funcionamento categorizados como informais. A maioria das mulheres relata que a falta de dinheiro é uma das principais razões para tal situação, além de 43% alegarem manter o negócio na informalidade, uma vez que o pagamento de impostos pode inviabilizar o empreendimento. O acesso ao credito foi citado como uma dificuldade que atrapalha a continuidade dos negócios.