Mesmo sendo o Estado mais afetado pela crise, Amazonas possui uma das três melhores situações financeiras do Brasil

Um estudo da Tendências Consultoria Integrada, divulgado pelo jornal Globo, apontou que o Amazonas foi o que mais sofreu com a crise no Brasil nos dois últimos anos, tendo a maior queda acumulada de PIB (12,2%) entre 2015 e 2016. Apesar disso, graças a uma gestão estadual equilibrada, o maior Estado do País encerrou o último ano como um dos três mais equilibrados economicamente segundo o Ministério da Fazenda, sendo um dos únicos com as contas públicas e a folha de pagamento em dias.

“O Amazonas, por conta da Zona Franca, é extremamente industrializado e, portanto mais sensível aos ciclos econômicos. Nós sentimos isso. Por esse motivo, escolhi fazer gestão, e ao fazer isso criamos medidas amargas. Essas medidas me deram um desgaste político grande, porém chegamos ao final de 2016 com o equilíbrio nas contas públicas. Tomei as decisões e agora temos um Estado equilibrado, paguei os salários dos servidores e não fechamos as unidades de saúde. Fomos, inclusive, um dos poucos a pagar 13º para os servidores”, afirmou o governador José Melo.

Com a crise, a Zona Franca teve uma queda no número de empregos de 130 mil para apenas 80 mil, o que impactou diretamente os setores de comércio e serviços. Em números reais, a queda da receita tributária do Amazonas foi R$ 9.087 bilhões em 2015 e de R$ 8,116 bilhões em 2016, o que não impediu que o Governo do Estado anunciasse investimentos de R$ 1,5 bilhões para o ano de 2017. Para suprir essa lacuna, Melo explica que buscou de verbas extraordinárias oriundas de empréstimos, financiamentos e repatriação, o que resultou em um aporte de R$ 1,2 bilhão para o Estado.

“A crise atingiu também o comércio e os serviços. Assim, sofremos com a queda na arrecadação de impostos. Optei pela austeridade, cortando na carne, mas tomando decisões corretas, ao invés de fazer proselitismo político. Com isso, consegui empréstimos e verbas vindas de outros meios para garantir uma economia funcional. Isso sem falar das reformas políticas que aplicamos, onde repactuamos contratos, reduzimos secretarias, cargos comissionados, enfim, enxugamos a máquina pública”, explicou o governador.

Geração de Emprego – Além do pacote de investimentos, o governador afirmou que trabalhará forte em 2017 no estímulo à geração de emprego e renda. Melo revelou que pretende aumentar o crédito para os pequenos negócios reforçando o programa estadual de microcrédito Banco do Povo, mantido pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). A previsão inicial e que o programa conte com recursos de R$ 66 milhões.

Em menos de dois anos, o Banco do Povo beneficiou 26 mil empreendedores e um total de R$ 124,5 milhões em valores financiados. A maior fatia do financiamento se destinou ao interior, onde o programa tem sido visto como a “salvação da lavoura” para a agricultura familiar, principalmente por conta dos juros baixos – 3% ao ano, com um ano de carência. Enquanto na capital foram realizadas 12 mil operações de crédito, envolvendo um valor de R$ 52,7 milhões, no interior do Estado foram realizadas 14 mil, financiando um valor de R$ 71,8 milhões.

Matriz – Também para estimular a geração de emprego e criação de uma nova base econômica, o governador destacou a implantação da Matriz Econômica Ambiental, que terá só este ano investimentos de R$ 450 milhões, focada no desenvolvimento do interior a partir do incentivo a atividades, como a piscicultura e fruticultura.

“Com a implementação da nossa Matriz, vamos criar um novo aporte econômico e sustentável para o Amazonas, que não dependerá mais apenas da indústria. Se essa alternativa já tivesse sido desenvolvida, o nosso Estado nem teria sentido essa crise e com certeza seria a maior economia do País. Este é o mote do nosso trabalho em 2017, a geração de emprego e renda de forma sustentável agregando valor aos ativos da floresta com preservação e desenvolvimento”, completou o governador.